O barato da faxina

Venho falar de faxina, logo eu que, por falta de aptidão e de nervos, jamais poderia apresentar aquele programa da TV formatado para invadir residências de gente “comum”, devassar armários e gavetas e, em troca, executar melhorias – sim, o planeta comporta pessoas que preferem terceirizar a ordenação de calcinhas e cuecas a ter de, elas mesmas, manusear sua intimidade. Estranho mundo.

Como careço de verba e de estômago para contratar um personal organizer, aproveitei as férias domiciliares – involuntárias – para dar cabo da bagunça. Na entressafra do calendário gregoriano, encontro o incentivo que me falta no restante do ano: a promessa de renovação generalizada. À procura desse elixir, segundo a crença coletiva, capaz de higienizar os diversos escaninhos da vida, me atiro sobre meus pertences em desalinho com tamanha voracidade que chego a desconfiar: “Quem é essa que agora me possui?”. Continue lendo