Breve reflexão sobre o amor e a tosse

“O amor é inevitável como a tosse”, compara a atriz em cena da peça Arrufos. Um encanto produzido pelo grupo XIX de Teatro.

A frase atinge o coração da coisa.

Vejamos.

A tosse sobe dos pulmões e estoura na boca, assim como a onda arrebenta o que estiver na sua rota.

Tanto em uma quanto em outra há evidente violência. Tossir vezes seguidas sobrecarrega o diafragma. Levar um caldo é experiência a não se repetir.

E o amor?

Tal qual a tosse, pode se mostrar contido, enviesado, sôfrego, escandaloso.

Sangrento.

Sempre fatal na sua aparição. Ainda que venha nos salvar.

Quando se vê, está feito.

Mas, ao contrário da tosse, devasta ao desaparecer.

Ou quando tarda a estourar em nossa boca.